“A pessoa não sente o colesterol alto, é assintomático. Então, é muito
importante ter esses dias temáticos para alertar essas pessoas sobre
esses fatores de risco”, diz o cardiologista Carlos Serrano.
Um destes fatores de risco é a alimentação. Por isso, Serrano e outros
profissionais, elaboraram uma coleção de livros com receitas voltadas
para quem tem colesterol alto. Há exemplares ainda para quem tem câncer e
para quem tem problemas cardíacos.
Normalmente, o susto da descoberta de uma doença e, principalmente, o
receio do que pode vir depois fazem com que muitos repensem o dia a dia,
reavaliem a alimentação. Com o engenheiro Michael Wahrhaftig Filho, de
59 anos, que mora em Curitiba, foi desta forma. Quando os exames
apontaram altos índices, veio o puxão de orelha do médico.
A intimação foi clara, era hora de mudar radicalmente a alimentação e deixar de lado o sedentarismo.
“Cortei totalmente fritura, eu fazia uma pasta com queijo cottage
misturada com pimenta calabresa, sal, pimentão, cenoura, tomate, alface e
comia dois sanduichões, assim com uns três dedos de salada, e ia
dormir”, lembrou Michael.
Ele mesmo procurou se informar sobre o que poderia mudar e substituir
na alimentação. Com pesquisas na internet e reportagens, foi conhecendo o
que poderia ser bom para a saúde.
Em paralelo, aderiu à atividade física e começou a correr. O engenheiro
pesava 115 kg e, em dez meses, chegou a 76 kg. “Eu emagreci no limite,
tudo com saúde, nossa eu estava me sentindo maravilhosamente bem”.
Mas, o esforço acabou provocando dores nas articulações, e ele precisou
trocar a corrida pelas caminhadas. “Eu tive que parar de correr para
não sobrecarregar as articulações e perdi o estímulo. Era uma coisa que
me trazia superação”, contou. Como consequência, Michael voltou a
engordar e agora pesa 108 kg. Ele reconheceu que ganhou navamente os
pesos não só porque parou de correr, mas também por ter descuidado com a
alimentação.
Michael não está sozinho nesta batalha para controle do peso e da
alimentação. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde neste ano
indica uma
linha crescente do número de brasileiras com sobrepeso.
Mais da metade de população está nesta categoria (52,5%) e destes,
17,9% são obesos, fatia que se manteve estável nos últimos anos.
Mas se foi possível uma vez, será possível de novo. Michael está decidido a regular novamente a alimentação.
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Alimentação diária tem que ser equilibrada para evitar
doenças, orientam os médicos
(Foto: Reprodução/ RPC TV) |
A escolha dos alimentos
Apesar do volume de informações sobre alimentação, é sempre complicado
elaborar sozinho, sem orientação profissional, refeições equilibradas.
Para quem tem algum problema de saúde, então, este processo é ainda mais delicado.
Pensando nestas pessoas, um grupo multiprofissional formado por
nutricionistas, cardiologistas e chef de cozinha elaborou a coleção
“Comida que Cuida”. São três livros – um voltado para pacientes com
câncer, outro para quem tem problemas cardíacos e outro para quem tem
diabetes.
A ideia é estabelecer uma relação mais prazerosa com a alimentação,
mesmo diante das dificuldades decorrentes de um tratamento ou das
limitações que uma doença possa impor. O livro disponível na internet
gratuitamente e é distribuído em hospitais também sem custo algum.
(Veja como no fim da reportagem)
“São alimentos menos calóricos e de mais base de proteica e com mais
sabor, com um hábito saudável, levando em conta os temperos, os
mantimentos”, sintetiza o cardiologista Carlos Serrano.
No caso do colesterol alto, que está diretamente ligado a problemas
cardíacos, o médio explica que em torno de 70% do colesterol do corpo
vem do metabolismo, e os outros 30% da dieta. Esta porcentagem menor,
contudo, é significativa.
“É muito importante as pessoas controlarem a dieta para minimizar a
chance do colesterol alto, que é critico para a formação de placas de
gorduras nas artérias e essas placas levam ao infarto”. Os alimentos
aparecem como um tratamento não medicamentoso e, por este motivo, são
importantes, segundo o cardiologista.
No caso dos pacientes com câncer, por exemplo, a dieta tem papel fundamental.
“Tanto a doença como o tratamento do câncer são muito agressivos para a
pessoa. Quanto melhores as condições nutricionais, mais ele suporta o
tratamento e mais chance de ele ter bons resultados”, afirmou o
cardiologista.
Há ainda o caráter preventivo da alimentação. “Quanto mais cedo a
pessoa é educada para ter uma alimentação deste tipo, melhor a qualidade
de vida, menos doença essa pessoa vai ter”.
Serrano avalia que cada vez mais as pessoas têm mais conhecimento do
devem ou não comer. Contudo, ainda é visível que este tipo de informação
ainda está atrelado a condição social. Segundo ele, aqueles com menor
poder aquisitivo tendem a se alimentar pior.
O que comer a cada hora
Serrano aconselha a se intensificar a alimentação no período da manhã.
“O raciocínio é o seguinte: quanto mais atividade física, melhor
alimentado você tem que estar. Se você está começando o dia, você tem
que estar bem alimentado. A noite a gente tem quase nada de atividade
física, então, não tem necessidade de um jantar reforçado”.
E a sensação de mais fome no período do noturno, pode ser, de acordo
com médico uma questão de hábito. Pode-se treinar para conseguir comer
menos nesta última etapa do dia. “É uma questão de treinamento. O
estresse pode abrir o apetite, faz com que a pessoa coma errado e
rápido.”
O raciocínio é o seguinte: quanto mais atividade física, melhor
alimentado você tem que estar. Se você está começando o dia, você tem
que estar bem alimentado"
Carlos Serrano, cardiologista.
É preciso fazer um exercício mental para não ceder ao apetite noturno que nem sempre é uma necessidade do corpo.
Ainda que pensado para os pacientes de câncer, problemas cardíacos e
diabetes, os livros de receita podem ser seguidos por aqueles que querem
ter uma alimentação saudável. O livro para pacientes de câncer, por
exemplo, pode ser seguido pelas pessoas que fazem bastante atividade
física, porque é rico em proteína.
Para quem busca emagrecer, pode optar pela dieta dos diabéticos, que
tem pouco carboidrato. Da mesma forma, a dieta para cardiopatas, já que é
uma dieta mais ampla voltada para a educação alimentar.
Como adquirir os livros
Para fazer o download basta clicar nos link abaixo
Comida que Cuida – Mais cor no prato e na vida durante o tratamento do câncerComida que Cuida 2 – O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetesComida que Cuida 3 – Receitas e histórias para você fazer as pazes com o seu coração
As instituições hospitalares que tiverem interesse na versão impressa do livro, de forma gratuita, podem acessar
www.comidaquecuida.com.br, preencher o formulário e encaminhar o pedido.
VIA G1